Quinta-feira, Junho 01, 2006

NAPOLEÃO - MAX GALLO

Acabei hoje de ler a biografia romanceada em 1338 páginas e dividida em dois volumes. A narrativa inicia-se ainda na tenra infância do mais famoso de todos os franceses, que nasceu em uma Córsega recém saída do jugo genovês para o francês. Seu pai era um nobre de Ajácio e apoiou a ocupação francesa em troca de benefícios pessoais, entre eles a possibilidade de matricular seu filho Napoleão em uma academia militar francesa.

Napoleão passa por uma difícil fase em sua infância e adolescência porque era um corso de temperamento difícil e misantropo, alvo de perseguição por parte de seus colegas franceses nas escolas militares. Seu gênio estratégico desponta ainda na escola, assim como seu bom desempenho em matemática, tanto que assim entrou na Artilharia, a "arma dos eruditos". Seu examinador na prova de matemática foi o famoso matemático francês Laplace, com quem manteve boas relações por muito tempo, pois Napoleão sempre apoio os homens da ciências e das letras.



A partir desse ponto, a leitura simplesmente embala com Napoleão vencendo dezenas de batalhas contra franceses realistas, austríacos, italianos, prussianos, egípcios, russos e espanhóis. Dentre tantas vitórias acachapantes como as de Austerlitz (Rep. Tcheca), Wagran (Áustria) e Marengo (Itália), teve duas derrotas dramáticas: a primeira para o inverno russo, com czar Alexandre I se escondendo com seu exército na vastidão siberiana e esperando o momento certo para contra-atacar os invasores franceses que chegaram a ocupar uma Moscou abandonada e em chamas; e em Waterloo (Bélgica), para uma coalização compreendendo praticamente todas as nações européias liderada pelo renomado Duque de Wellington, inglês.

Além das campanhas militares, a narrativa também aborda o desempenho político de seu governo sob as égides do consulado e do império. Não bastando, igualmente sua vida amorosa é abordada em detalhes, de Desirée Clary até Maria Luísa da Áustria, com um destaque maior para Josephine de Beauharnais, claro.

"Os senhores assassinaram-me lentamente, detalhadamente, com premeditação, e o infame Hudson foi o executor das ordens de seus ministros. Acabarão como a soberba República de Veneza - continua - e eu, ao morrer neste rochedo medonho, privado dos meus e de tudo, lego o opróbrio e o horror da minha morte à família reinante da Inglaterra." _ disse Napoleão, às portas da morte, na Ilha de Santa Helena, em 1821.

Buddy van Horn - Île de Sainte-Hélène, le 5 mai 1821




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Terça-feira, Maio 16, 2006

ANALISANDO A CRISE NA SEGURANÇA PÚBLICA

Roger Jones diz (02:43):
na sua opinião o término do estado democrático de direito, no Brasil, é apenas uma questão de tempo ?
Evandro diz (02:44):
sim... logo o Brasil será o primeiro estado oficialmente pirata do mundo contemporâneo
já houve uma ilha antilhana na época das navegações que era francamente governada por pirata, esqueci o nome
Roger Jones diz (02:46):
você acha que está morrendo o mito da "segurança pública" ?
Evandro diz (02:47):
não... é só um momento em que o jogo está ruim
Evandro diz (02:48):
o time está com dois jogadores expulsos, perdendo para o maior rival, com o juiz roubando, torcida vaiando sem parar, com os comentaristas da TV criticando pesadamente, o técnico queimou todas as substituições, o bandeirinha insiste em acusar impedimento toda vez que o time vai ao ataque
Evandro diz (02:49):
os dirigentes já fugiram escoltados pela polícia, os policiais estão batendo nos torcedores, que já apanharam dos torcedores do time rival, o jogo é fora de casa e os ônibus do time já foram depredados e a própria torcida já está lá fora esperando para "tirar satisfações"
Roger Jones diz (02:50):
hum... então a segurança pública está mais ou menos como o Corinthians ?
Evandro diz (02:50):
exagerei... esse cenário chega a ser ainda pior
exatamente... em algumas rodadas há uma súbita melhora... mas como nenhuma mudança profunda e séria é feita, a crise volta ainda mais forte, enchendo a paciência dos torcedores [eleitorado]
Roger Jones diz (02:51):
é... sem falar que a segurança pública também é comandada pela máfia... ¬¬
Evandro diz (02:51):
pois é... não sei como o Lula ainda não usou essa metáfora nas entrevistas... ele adora metaforizar usando o futebol
Roger Jones diz (02:54):
enquanto não oficializarem as drogas o mundo do crime terá mais dinheiro e armas do que a segurança pública... a crise atual apenas deixou claro o que todo mundo sabia: nossa policia não tem condições de enfrentar a criminalidade.
a proibição das drogas, pela direita americana nos anos 60, foi um desastre.
Evandro diz (02:56):
sendo que a própria direita americana que introduziu o tráfico em NY, é mole? a CIA contrabandeava drogas para financiar operações secretas, quiçá a própria guerra no Vietnã... o tesouro americano chegou a zerar por causa da guerra, então tem uma coerência essa fofoca aí

Buddy van Horn - In a MSN Cyberspace - May, 16 of 2006






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Terça-feira, Maio 09, 2006

PYOTR ILYCH TCHAIKOVSKY - SINFONIA N.4

Acordei às dez e meia da manhã e ainda tinha sono. Levantei e liguei o laptop para acabar de me despertar, pois a internet é muito estimulante. Ouvindo o concerto n. 2 para piano, de Beethoven, voltei pra cama e abri a biografia de Napoleão que comprei há poucos dias. Incrível como Max Gallo conseguiu escrever uma biografia em dois volumes e aproximadamente 1300 páginas que proporcionam uma leitura leve e agradável, além de repleta de nomes de personalidades históricas e outras nem tanto, afora lugares que hoje têm outros nomes. Acabei me atrasando por causa de um telefonema e só dava tempo para ir almoçar no MacDonald's antes de trabalhar. O Tribunal ainda está em greve, mas preferi trabalhar ao invés de participar das manifestações porque meu corpo ainda estava dolorido por causa do excesso de esporte que pratiquei no final de semana.



Acabei indo sozinho à apresentação da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional. Na programação: Sinfonia n. 4 (Trágica), de Franz Schubert e Sinfonia n. 4 de Tchaikovsky. A primeira parte, de Schubert, foi um tanto mediana, mas nada que não valesse a pena. Lamentei, como sempre, o mau comportamento do público presente à apresentação. Aplaudem entre um movimento e outro, ao invés de esperar o final da sinfonia, e levam bebês que adoram chorar nesses mesmos intervalos. Acho que eles adormecem durante um movimento e acordam assustados com os aplausos indevidos do público e choram. A entrada de crianças de colo deveria ser proibida porque é uma ocasião que pede um respeitoso silêncio e não dá para controlar suas vontades de chorar.

Quase fui embora no intervalo, mas decidi ficar e ouvir essa sinfonia do Tchaikosvky. Não tenho nada dele aqui em casa e só ouvi as sinfonias ns. 5 e 6 (Patética), além do concerto n. 1 para piano e orquestra. São todas peças famosas e regularmente executadas por qualquer orquestra sinfônica digna de respeito. O primeiro movimento - andante sustenuto - moderato con anima - iniciou-se com trompas e fagotes, com as primeiras prevalecendo. De repente entrei em transe e só recobrei a consciência para agendar mentalmente a compra dessa sinfonia em um CD da Deutsche Grammophon com a Berliner Philharmoniker conduzida por Herbert von Karajan. Sei até a prateleira da Livraria Cultura onde o CD está me esperando. Ah! Vou aproveitar a ocasião e comprar as sinfonias ns. 5 e 6 também! Ainda sem fôlego, voltei a mergulhar no transe no segundo movimento - andantino in moda di canzona, que imediatamente entrou para a minha lista mental dos melhores segundos movimentos de sinfonias. O terceiro foi simplesmente mágico, com muito scherzo e pizzicato, cujo final arrancou mais aplausos inadvertidos do público. O quarto - Allegro con fuoco foi retumbante e retomou o tema apresentado no primeiro movimento. O público mal-comportado foi todo hipnotizado e não havia ninguém aplaudindo sentado. Todos em pé! Centenas e centenas de pessoas em pé aplaudindo sem parar. O regente teve de retornar duas vezes para agradecer! Em suma: foi o melhor concerto que já vi sendo apresentado pela OSTN. Se não foi o melhor, foi tão bom quanto a primeira vez que a vi apresentando a sétima de Beethoven.

Viva a Rússia de Tchaikovsky, Schostakovich, Prokofiev e Rimski-Korsakov! Nada conheço de seus escritores clássicos, mas salvo-me pelos seus compositores!

Buddy van Horn - Brasília, le 9 mai 2006 - le jour d'Europe




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Quinta-feira, Maio 04, 2006

CONCERTOS PARA PIANO - LUDWIG VAN BEETHOVEN

Ao levar minha mãe para conhecer a Livraria Cultura daqui de Brasília, fui atraído, como sempre, para a seção de música erudita. Estava decidido a comprar concertos para piano de Beethoven para fazer companhia às nove sinfonias que possuo há um tempo. Encontrei essa caixa com três CD's contendo os cinco concertos para piano [klavierkonzert] por módicos 99 reais, aproximadamente. É do selo EMI com a New Philarmonia Orchestra regida por ninguém menos que Otto Klemperer conduzindo o então jovem talentoso Daniel Barenboim ao piano. Na época, Barenboim tinha 24 anos e já era muito conhecido e respeitado em seu meio. Hoje, ele é o regente da célebre West Eastern - Divan Orchestra que é formada por israelenses e palestinos, além de músicos de países árabes inimigos de Israel. Essa orquestra foi idealizada por ele, que é argentino de ascendência judaica, e pelo filósofo palestino Edward Said, falecido em 2003.



Otto Klemperer nasceu no ano de 1885 em Breslau, hoje em território polonês. Em 1933, mudou-se da Alemanha para os EUA, fugindo dos nazistas, como qualquer outro judeu ou inimigo político do regime nacional-socialista. Na época, era regente da Kroll Opera, de Berlim. Foi para Los Angeles e só voltou para a Europa após o fim da guerra para dirigir a Budapest Opera. Dessa vez, passou a ter problema com os comunistas. Dali mudou-se para o Canadá, onde regeu por alguns anos a Filarmônica de Montreal até voltar novamente para a Europa, fazendo carreira dessa vez em Londres, onde assumiu a Philarmonia Orchestra, que é a orquestra que executa os concertos de piano que estão no CD que comprei. Klemperer naturalizou-se israelense em 1970 e morreu três anos depois. Essas gravações foram realizadas em 1968.

Seria muita pretensão minha querer comentar os cinco concertos que estão nessa gravação, mas você já deve ter notado que gostei tanto a ponto de lhes dedicar esse post.

Buddy van Horn - Breslau, le 4 mai 2006




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Segunda-feira, Março 20, 2006

PORQUE ESTOU MUITO FELIZ

Ela vem.

Buddy van Horn - Hiperbórea Toujours




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Domingo, Fevereiro 12, 2006

SYRIANA - STEPHEN GAGHAN

Sobre o filme, não direi tanto. Deixo para os mais habilitados críticos de cinema que publicam seus comentários na internet. Todavia, adianto que valeu muito a pena assistí-lo porque é um filme inusitado em termos de narrativa com vários personagens sendo desenvolvidos em tramas paralelas sem que nenhum deles aparente ser o principal do filme.

É um filme que obriga a platéia a pensar para que possa ser compreendido, por isso não está sendo exibido em tantas salas como os filmes puramente comerciais criados para um público que quer apenas se divertir.


George Clooney conversando com o líder do Hezbollah

Assistindo a esse filme, ganhei mais elementos para usar em minhas indagações sobre a forma como o Oriente Médio é governado por suas elites donas dos campos de petróleo. Sendo o petróleo o artigo comercial mais importante do mundo, para o qual nunca falta mercado consumidor, porque ainda assim os países árabes não têm os mesmos indicadores sociais dos países escandinavos?

Após assistir a esse filme, consegui entender um pouco mais essa situação sócio-política que mantém grande parte do povo árabe na ignorância, na pobreza e no fanatismo religioso. Os personagens do filme respondem de forma indireta a essa grande questão.

Uma fusão entre empresas americanas que exploram petróleo visando aumentar a participação no mercado - e também proteger interesses estratégicos do governo norte-americano - acaba provocando a demissão de um grupo de trabalhadores estrangeiros em um fictício país árabe.

Um membro desse grupo, condicionado pelo desemprego e pouca esperança em relação a um futuro promissor, se deixa abraçar pela religião em busca de consolo, mas acaba sendo induzido de maneira capciosa a se tornar um terrorista crente que suas atitudes atendem aos desejos divinos de Alá.

Esse é um dos resultados da má política social aplicada nos países árabes, provavelmente em decorrência da ingerência do governo norte-americano em assuntos internos de cada Estado para proteger interesses estratégicos envolvendo o mercado de petróleo. A invasão do Iraque é um bom exemplo dessa ingerência.

Um outro personagem do filme, um príncipe esclarecido com graduação e pós-doutorado nas melhores universidades americanas é morto em uma operação da CIA. Esse príncipe tinha sérios projetos onde os lucros do petróleo seriam de fato usados na modernização e no progresso humano de seu emirado, mas sua política foi considerada uma ameaça aos interesses americanos simplesmente porque ele agia de forma independente - leia-se: com soberania - e vendeu direitos exploratórios aos chineses simplesmente porque eles ofereceram mais dinheiro que os concorrentes americanos, valendo-se de uma elementar prática comercial.

Os demais personagens, não menos importantes, estão envolvidos em jogos comerciais e ações clandestinas de espionagem e suas atitudes não são nem um pouco divorciadas da realidade.

De fato o mundo árabe tem péssimos indicadores sociais e está repleto de príncipes, emires e sultões bilionários que colecionam carros de luxo e que possuem torneiras e maçanetas folheadas a ouro em seus palácios e mansões. Mas quando o petróleo acabar, eles continuarão ricos porque espertamente usaram e ainda usam os lucros do petróleo vendido a altos preços para comprar ações e empresas inteiras dos norte-americanos e europeus, incluindo aí estúdios de cinema e redes de hotéis.

Por outro lado, o populacho continuará pobre e ignorante porque o grande parte do dinheiro do petróleo fica apenas nas mãos de suas elites e pouco é usado para construção de escolas, universidades, hospitais e indústrias não-petrolíferas que poderiam aumentar a diversidade da pauta de exportações desses países e, sobretudo, gerar empregos e evitar que os jovens sejam seduzidos pelas mentiras pseudo-religiosas inventadas para alimentar ações terroristas.

O fanatismo religioso está associado com a ignorância de boa parte da população árabe e isso pode estar fora de controle até das próprias elites que governam os países árabes, por isso a Arábia Saudita está cada vez mais fora de sintonia com a política externa americana, daí o principal motivo para invadir o Iraque: garantir um Estado fornecedor de petróleo com um governo dócil e pró-americano.

Tudo isso é apenas uma parte do retrato da região mais instável do globo terrestre. A propósito, será que houve algum período histórico em que essa região teve paz e prosperidade por um tempo considerável?

Buddy van Horn - Beirute, le 12 fevrier 2006




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Domingo, Fevereiro 05, 2006

AEROPORTO - GEORGE SEATON

Esse filme foi produzido em uma época em que os filmes catástrofes estavam fazendo muito sucesso. Gostei demais desse filme porque algumas vezes por ano viajo de avião e reconheci muita semelhança entre o filme e a vida real em termos de organização dos serviços, ambiente e funcionários agitados.


Calma... o filme é a cores... Technicolor, acho...

Nesse, Burt Lancaster interpreta o diretor de um aeroporto internacional assolado por uma imprevista tempestade de neve. A pista principal, usada por jatos mais novos e de grande porte, foi bloqueada por causa da imprudência de um piloto que fez uma curva antes da hora enquanto taxiava e atolou num banco de neve.

George Kennedy é um funcionário do aeroporto e homem de confiança de Burt Lancaster. Fica encarregado de fazer o possível e o impossível para arrancar o avião atolado na neve e liberar a pista principal para que o avião pilotado por Dean Martin pudesse pousar em situação de emergência por causa de uma bomba que explodiu a bordo quando o insano e fracassado Van Heflin quis derrubar o avião para que sua sofrida esposa Maureen Stapleton.

Além disso, Burt Lancaster conta com a ajuda de Jacqueline Bisset para resolver inúmeros problemas que vão surgindo no cotidiano desse movimentado aeroporto. Tudo obra da mente de Arthur Hailey, autor do livro que inspirou o roteiro desse ótimo filme.

Recomendo para aquelas noites em que não temos absolutamente nada pra fazer e tempo de sobra para uma diversão descomprometida e de boa qualidade. Isso enquanto o remake de O Destino de Poseidon não chega às telas.

Buddy van Horn - Aeroporto Internacional Hermes Olímpico - Hiperbórea




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